Parabéns! Conquistamos o direito de sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014, as Olimpíadas de 2016, e, ainda que esse ano tentaram levar vantagem, para não contrariar a “Lei Gerson”, brasileira, mas mundialmente conhecida, o Enem, apesar de não ser realizado na data programada, está previsto para o início de dezembro. Lastimável, mas já esperado, é que o adiamento do Enem não causou manifestações tão ferrenhas quanto seriam, caso a Copa ou as Olimpíadas, fossem adiadas.
O mais incrível é que alguns governantes insistem em tapar os olhos para a realidade brasileira, e, em discursos inflamados e pseudo-nacionalistas, passam a idéia para a população de que, com o instrumento de avaliação do ensino médio nacional, o Enem, e sermos sede dos jogos esportivos, tudo está resolvido. Como que num passe de mágica o analfabetismo fosse erradicado; nossas crianças estivessem todas nas escolas; nossos professores com o conhecimento extremamente qualificado e com salários justos; e ainda, nossas escolas públicas com toda a infra-estrutura necessária para o fornecimento de um ensino de qualidade e integral. É, não foi com essa varinha de condão, da falácia, que algumas grandes potências, cito aqui como exemplo o Japão, se superaram, e hoje, podem esbanjar a força do desenvolvimento, amparada por pilares seguros, com raízes no ensino universal e de qualidade.
O Enem veio sim como uma arma que pode garantir, pelo menos, em relação ao acesso ao ensino superior, uma maior pluralidade de: ingressantes, habilidades, e integralidade, não da quantidade de conteúdos, mas da universalidade dos mesmos, da contextualização e inserção destes conteúdos nos problemas vivenciados pela população brasileira.
Mas, não é apenas em relação à acessibilidade ao ensino superior que devemos nos preocupar. Em recente pesquisa, recebemos a informação de que, na luta contra o analfabetismo ainda estamos em desvantagem, nossas ações não conseguem alcançar os efeitos necessários e, conseqüentemente, no ritmo em que estamos, o analfabetismo no Brasil ainda perdurará por pelo menos, 20 anos. Poderia aqui descrever sobre vários aspectos preocupantes da nossa educação. Mas limito-me no analfabetismo, por acreditar que devemos focalizar nossas ações para que possamos ter eficiência na atuação e objetividade no cumprimento de metas estabelecidas.
Não posso aqui, como desportista, deixar de registrar que o incentivo ao esporte também constitui uma arma poderosa no espectro educacional, que a verba aplicada nesse seguimento reflete nas secretarias de segurança e de assistência social, visto que, a cada R$ 1,00 investido no esporte economizamos em torno de R$6,00 que seriam necessários para recuperar aquele jovem, ou aquela criança, que não teve a oportunidade no esporte, mas o tráfico o recebeu de braços abertos.
Portanto, ressalto aqui a importância do esporte, mas não vou tapar os meus olhos e acreditar que, apenas o Enem, a Copa, ou as Olimpíadas, serão suficientes para a transformação do nosso País. É necessário um maior compromisso dos nossos representantes, precisam ter coragem de realmente atuarem no cerne da questão. Tem sim que priorizar a educação básica, planejar ações que permitam o acesso de todas as crianças a escolas de qualidade. É hora de encarar o Professor como aquele profissional formador de opinião, aquele que pode, com sua qualificação técnica, transformar uma sociedade. E ainda, precisamos parar de acreditar em soluções mágicas, de um dia pro outro, porque o tempo não espera, e amanhã poderemos ser reconhecidos como a geração que não soube encarar a educação com a devida importância que se deve.
Diran R. de Souza Filho
Autor do Blog

1 comentários:
Marcos Coimbra!
Estava com saudades dos seus textos! Até que fim! Este seu texto do ENEM está ótimo, concordo com o investimento no Professor! Os estados brasileiros estão desrespeitando os Professores.
Continue com seu blog, pois ele é muito bom.
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